sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Morrer lentamente

Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve musica, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio , quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo caminho, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor, ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco, e os pontos nos Is em detrimento de um remoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho nos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho , quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir aos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante...

Morre lentamente quem abandona um projecto antes de o iniciar , não pergunta sobre um assunto que desconhece, ou não responde quando lhe indagam sobre algo
que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

Pablo Neruda

1 comentário:

igor marques disse...

morres lentamente tu se não tiras esta música da enya e eu te ponho as mãos ao pescoço!

naah... todos os dias morremos um bocadinho, seja porque razão for.
mas há-de haver um dia, uma emoção, que te faz rejuvenescer! em que cada dia se vive com uma alegria dobrada, em que cada momento é aproveitado ao máximo e ...


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